Idiotices

Aquilo que penso e não tenho coragem de dizer em voz alta...

terça-feira, janeiro 08, 2008

# 282

Saber as horas de cada acontecimento... saber quando estamos a tempo de um sorriso, de uma mão estendida. Saber da semente, saber dizer olá e só depois o adeus. Saber se estamos a horas, se estamos ali, saber se podemos ficar. Saber receber, saber fazer crescer, saber dar à luz. Saber a que horas temos de sair, saber quando já não vale a pena ficar. Saber se voltamos, saber se queremos, saber se vamos ter. Saber do saber... querer saber...

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quarta-feira, julho 18, 2007

# 264

Talvez seja a maneira como me levantas a saia antes de te encaixares em mim. Ou então a pressão que os teus lábios fazem no meu pescoço enquanto deixam um rasto de fogo. Também posso culpar a maneira como as tuas mãos me agarram ao puxarem-me para ti.
Pode ser qualquer coisa, até o teu hálito quente na minha pele. A maior certeza que tenho é desta vontade em voltar em estar contigo. Do desejo que me consome lentamente. Me arranha. Que me mói.

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sexta-feira, maio 04, 2007

# 238

Ele disse, quero ver-te. E ela, porque não tinha a mesma vontade, respondeu que não estaria lá.

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quinta-feira, abril 19, 2007

# 232


E no meio de todo o espólio que fui juntando ao longo da minha vida, descubro o postal que te escrevi e nunca cheguei a mandar...
... desculpa meu amor, talvez tudo tivesse sido diferente...

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quarta-feira, abril 11, 2007

# 226

Estamos mortos antes de termos nascido os dois. Tens ao menos noção disso? Queres que fiquemos juntos para que possamos nascer os dois, ou crescer, ou pelo menos teres a certeza que vives. Sei que gostas que te faça o coração bater mais depressa. Gostas das minhas mãos em ti, dizes que gostas do meu cheiro, percebo que gostas dos meus beijos e de encaixares o teu sexo no meu. Somos só isso, luxúria, paixão de olhos fechados. E antes de nascermos os dois já queres as coisas que só os quase mortos usam.

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segunda-feira, abril 02, 2007

# 222

Quantas vezes te sorri? Quantas vezes te abraçei? Quantas vezes fui eu que me aproximei de ti para ganhar um beijo? Quantas vezes estendi os pés na cama à procura do calor dos teus? Quantas vezes me aninhei nas tuas costas por ter frio? Quantas vezes te disse que te amava? Quantas vezes te dei a mão na rua? Quantas vezes te faltei ao respeito? Quantas vezes te traí? Quantas vezes te disse que não podia estar contigo? Quantas vezes recusei uma ida ao cinema? Quantas vezes te convidei para jantar? Quantas vezes te disse que tinha saudades tuas? Quantas vezes me viste chorar? Quantas vezes falei alto? Quantas vezes me fizeste perder a paciência? Quantas vezes te disse que não? Quantas vezes me zanguei? Quantas vezes te mandei uma mensagem para saberes que gostava de ti? Quantas vezes acordei de noite só para te sentir ali? Quantas vezes desejei futuros? Quantas vezes te deixei? Quantas vezes te amei? Quantas vezes te amei? Quantas vezes me ouviste? Quantas vezes te esperei? Quantas vezes me viste? Quantas vezes te amei? Quantas vezes te amei... quantas?

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terça-feira, março 13, 2007

# 214

Os melhores orgasmos são sempre os primeiros... sempre o soube, mas mesmo assim achei que os podia continuar a fingir contigo só para não te perder... enganei-me...

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sexta-feira, março 09, 2007

# 213

Voltaram os dias de sol e agarrados a eles todas as lembranças que tenho de ti e que teimosamente teimo em esconder. Sinto-te a falta aqui dentro do meu peito. Junto com a tua falta sinto a falta de amar com letra grande. E de tudo o que se ganha com isso. Estou a crescer e a perder a caracteristica de superar todas as desilusões de uma maneira leve. Agora o aperto no estômago é mais doloroso. Demoro muito mais tempo a esquecer, demoro mais tempo a achar que vou superar e quanto à ideia de que vou encontrar de novo o mesmo que senti contigo parece apenas uma ilusão. Engano-me todos os dias com mentiras descaradas nas quais não consigo acreditar. Dou-me o corpo por vezes, mas nunca a alma, essa nunca a levo comigo nestas saídas. Tenho medo... um medo atroz de não voltar a sentir, um medo coagulante de nunca mais conseguir sorrir de felicidade. Sem saberes mataste-me antes de ires embora.

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sábado, março 03, 2007

# 211

Aqui posso tudo, chorar ou falar alto. Posso confessar-me sem o medo de que me reconhecam a voz ou julgam que me conhecem bem quando me olham nos olhos. Aqui não preciso de nenhuma mentira nem de me fazer forte. Posso admitir que me sinto sózinha , posso falar do meu medo de nunca encontrar um homem com quem possa falar em planos ou fazer projectos, nem que seja o da cor dos cortinados da sala ou a maneira como deixa o vidro do WC salpicado depois de fazer a barba. De nunca poder procurar o contacto de uns pés quentes quando acordo a meio da noite. De nunca poder dizer boa noite em voz alta pelo ridiculo de estar sózinha. Aqui os meus sons não fazem eco, tenho a liberdade de os repetir as vezes que quizer... sem criticas... ou medo delas.

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domingo, fevereiro 18, 2007

# 205

É Domingo... não deveria eu detestar Domingos? Talvez devesse, mas hoje não sinto grande coisa por este dia, deixo-o passar sem lhe ligar. Fui acordada cedo demais, por alguém que já está acordado faz tempo, ter crianças faz-nos destas coisas, lixa-nos o sono, a preguiça. Não fiquei chateada, até gostei de ouvir a sua voz, fiquei em paz, depois não consegui voltar a adormecer, deixei-me ficar enroscada às escuras a olhar para o despertador que mostrava as horas... lentamente... até que o meio dia chegou, mais rápido que na vida real, é o hábito de adiantar as coisas, no meu caso só os relógios, tudo o resto anda atrasado... é como se fosse para compensar...
Pequeno almoço, sofá, tv, fazer a cama, lavar a loiça, sofá, tv, pc, queimo um cd, ainda não sei trabalhar com a treta deste gravador, lavo um tapete dentro da banheira, mudo as camisolas de estendal, encho a máquina de roupa escura... apetece-me sair, apetece-me ficar. Apetecem-me sentimentos, tentar perceber o que se sente por aí. Apetece-me sentir qualquer coisa cá dentro... apeteco-me viva, a mexer. Deveria detestar Domingos, sei lá, deixar-me ficar deitada sem abrir os olhos, arrastar-me para o sofá e fazer zapping todo o dia. Pinguei o pijama de leite, não tenho mais roupa branca para poder fazer uma máquina, tenho uma borbulha no queixo que me incomoda. Queria sentir algo... preciso de sentir algo... sentimentos. A seguir a isto entro na banheira, visto depois uma roupa desportiva, calço os ténis, vou sair... tentar captar qualquer coisa, quem sabe sentimentos dos outros. Afinal... nem todos deveremos detestar os Domingos...

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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

# 202

- E porque não ligas tu?
- Porque não sei pedir amiga, já não sei como se faz, tenho medo de sair magoada, tenho medo que as coisas não sejam como eu quero, prefiro esperar...
- E se do outro lado pensarem o mesmo? E se estiverem à espera como tu?
- Não sei... peço que não seja assim... eu sei que não vou fazer mais nada para me tentar aproximar... e se não tiver de ser... simplesmente não é...
- És parva...
- Talvez...

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

# 194

Tenho dois filhos, a Margarida a mais velha, o Tomás o mais novo. A Margarida foi a primeira a nascer, este foi o nome que eu escolhi para ela, era o nome que eu queria que ela tivesse e estava disposta a chorar baba e ranho para levar a minha avante. O Tomás veio um par de anos depois, é Tomás porque foi o nome que se escolheu... mas se o pai tivesse escolhido outro eu não me iria opor... não depois daquele filme grego que fiz na escolha do nome da primeira, ficou Tomás porque era o nome de um dos meus avós, porque é um nome forte, que adivinha personalidade. Margarida é o nome que me faz cócegas debaixo da lingua quando o pronuncio. Margarida foi um sonho que tornei realidade.

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terça-feira, janeiro 30, 2007

# 192

Poder não é fazer-te olhar para mim, ou dar-te vontade de me teres nos braços, poder não é apertar-te nos braços ou morder-te os lábios pelo meio dos beijos sofregos. Poder não é fazer-te entrar em mim e apertar-te o tronco com as pernas. Poder não é sentir que te descontrolas quando me apertas o peito com os dedos... Poder é conseguir fazer com que chegues lá nas minhas mãos...

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domingo, janeiro 21, 2007

# 187

Levanta-te! Estou farta de ti cá em casa. Já é tarde e continuas aí, com os estores corridos, o quarto ainda às escuras e com aquele cheiro adocicado que se ganha depois de uma noite de sono. Poderia já ter a cama feita, o quarto arejado. Detesto sentir-me tolhida dos meus hábitos. Tal como detesto que te levantes tarde porque estiveste até às tantas a ver televisão. Ou como detesto as migalhas que deixas na cama por ires a comer bolachas quando te deitas e às escura. Pergunto-me sempre porque lavarás então os dentes antes disso.
Se estivesse sozinha já teria tudo aspirado e já teria passado a esfregona na casa toda. Teria posto a música alta e andaria quem sabe a cantar uma qualquer música que me agradasse. Já teria tomado um banho de imersão, feito uma torrada e posto uma máquina de roupa a lavar. Já teria descido para um café ou estaria sentada em frente ao pc a ler qualquer coisa, a mandar uma mensagem, à procura de uma outra para mim. Estou farta de ti cá em casa. Ou então aprendi a ficar sozinha... e gosto... fazer o que quero, circular por toda a casa sem medo de te acordar, sem medo que me critiques ou que descubras que não gostas das mesmas coisas que eu. Por isso levanta-te, já devias ter percebido que não gosto de te ter muito tempo seguido por aqui. Invades o meu espaço e achas que gosto. Queres fazer as coisas à tua maneira e acabas por me contrariar a mim. Já me habituei a estar sozinha, preciso de do meu tempo, preciso do meu silêncio. Não quero entrar no quarto e sentir o teu cheiro, não quero ter de apanhar do chão as meias que deixas por ali espalhadas, ou dobrar as calças que estão quase a cair da cadeira. Levanta-te! Já devias ter percebido que gosto de dormir sozinha, que detesto quando passas os braços por cima do meu corpo e com isso me sinto acorrentada, presa nos meus movimentos.
Levanta-te e vai embora, já devias saber que apenas te gosto de ter aqui enquanto o desejo não está satisfeito. Desejo desejar-te e acordar o teu desejo, desejo que me desejes e que me tomes ou então que me deixes tomar-te a ti. E só nesse momento em que fundimos os corpos consigo esquecer como não gosto nada de te ter por aqui...

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quarta-feira, janeiro 17, 2007

# 182

Os lugares são aqueles, já os vimos uma vez ou outra, já passamos perto, já ficamos, chegamos sem nos aperceber, os caminhos que nos levam lá podem ser tantos... a direito, aos zig zag's, fáceis ou turtuosos... podem mostrar tudo ou esconder a maior das armadilhas... podemos chegar num ápice ou demorar tanto tempo a chegar que quando nos damos conta de onde estamos custa a perceber como fomos ali parar. Fomos sózinhos? Alguém nos empurrou? Poderiamos ser puxados, arrastados, aliciados, hipnotizados... tudo vale para justificar o fim... mas o que podem interessar no fim as razões? O lugar é aquele... demoramos o tempo que foi preciso para ali chegar... ali estamos... mesmo sabendo que não é ali que queremos estar...

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